Resenha – Modelos de tutoria em EAD e um contraponto com os MOOCs

Resenha – Modelos de tutoria em EAD

Apesar da educação a distância existir há muitos anos, através de correspondência e de recursos áudios e vídeo (TV e rádio), com o advento da rede mundial de computadores, esta modalidade educacional despertou o interesse de grandes instituições e empresas para atender as demandas da sociedade global e seu mercado de trabalho.

O grande fluxo de informação em tempo real e o surgimento de novas formas de interação entre os homens desperta novas possibilidades e também novos desafios em que a autora tece suas preocupações e mantém o foco através de seu trabalho de pesquisa em duas universidades na Espanha e uma do México.

Sua posição em relação a diferenciação entre informação e conhecimento me parece bem clara e o aspecto interacionista da construção do conhecimento através da dialogicidade e interação nos mostra a importância da figura do tutor como elo central de um curso de EAD. O conceito de interação comunicativa como peça chave, a ser utilizado em qualquer modalidade educacional, na EAD torna-se essencial para garantir a segurança e estímulo necessários para uma aprendizagem eficaz.

Sua preocupação reside no imediatismo, na busca quantitativa de resultados e a supervalorização funcionalidade e permeado de valores que servem apenas ás expectativas de mercado (Santos, 2001) como a eficiência, a produtividade e a competitividade. A massificação de tais cursos, que por sua estrutura podem comportar centenas de alunos, com retorno em forma de números e cifras, ou seja, lucros. Tal preocupação contrasta-se com a perspectiva de favorecer democraticamente o acesso á formação, qualificação e especialização e permitir a todos uma educação de qualidade – objetivo da educação como um todo.

Portanto, é na figura do tutor e seus diferenciados modelos de tutoria, presencial ou virtual, síncrona ou assíncrona, obrigatórias ou opcionais, que se permite a interação comunicativa, em todos os aspectos afetivos, sociais, dialogicamente expostos. Porém, não se pode deixar de enfatizar que é necessário perceber que grande parte dos alunos não se adequam ou não percebem a importância colaborativa e dialógica das interações “on line” seja em fóruns ou redes sociais. Tais alunos hoje, ainda acostumados aos tradicionais formatos presenciais e de transmissão de conteúdos, são incapazes á princípio, muitas vezes até por receio ou timidez, de elaborar reflexões coletivamente. E é aí que a “presença virtual” da tutoria se torna essencial e os elementos vistos anteriormente, como empatia, honradez e certa compreensão da realidade mostrada pelo “aluno distante” se fazem necessários.

Como bem nos coloca a autora, o sucesso da comunicação virtual, não depende das tecnologias utilizadas, mas da aprendizagem de novas habilidades de comunicação. Em suma: o aluno de EAD precisa compreender que uma hora gasta num fórum pode render muito mais do que quatro de aula presencial, mas isso depende de toda a rede de aprendizagem e para construir essa rede é preciso que todos desenvolvam esse novo olhar.

Vale ressaltar que por mais que um curso seja bem planejado, que as ferramentas utilizadas correspondam tecnicamente, e que tenhamos o esforço e a consciência coletiva de alunos e profissionais envolvidos, é com a imprevisibilidade que a figura do tutor, muitas vezes, irá trabalhar e esta tarefa exige sutileza e grande sensibilidade para captar quase literalmente o que se esconde nas entrelinhas.

A relação entre a presença do tutor como elo de comunicação interativa entre aluno e curso e aluno-aluno, que muitas vezes serve ao modelo fordista e massificado de transferência de conteúdos para alimentar apenas o mercado de trabalho, gerou uma reação inicialmente contrária e como tentativa inovadora: os MOOCs (Massive Online Open Congress) que consiste em verdadeiras plataformas livres, onde o conteúdo é construído coletivamente e os próprios alunos interagem com desejarem. A ideia inicial era justamente fugir dos cursos rigidamente estruturados.

Nos últimos anos, muitos cursos vem sendo disponibilizados por algumas instituições e oferecem conteúdos nas mais variadas áreas, porém, percebe-se que não há disponibilidade ou abertura de espaços interativos para trocas e reflexões. Portanto, tais espaços parece vir de encontro a toda a questão do discurso dialógico educativo, e, em uma primeira análise, totalmente antagônicos as ideias defendidas por Reis (2003). Entretanto, vale ressaltar que os MOOCs, a meu ver, serão adequados em situações em que o aluno já possua um bom nível de autonomia e de organização em rede, para que, ao mesmo tempo, possa se aproveitar da liberdade do formato de tais cursos, e crie, ele com seus iguais, sua própria rede de pesquisa reflexão e aprendizagem autônoma e integrada ao que desejam acrescentar novas competências e habilidades acadêmicas ou profissionais. É importante perceber que o fato de tais cursos não oferecerem certificados, sua finalidade é apenas de complementação.

Concluindo, o estudo de Reis (2003) apresentado neste artigo, embasado em sua pesquisa para dissertação de doutorado, nos alerta para a importância do elo firmado entre tutoria e aluno, quando se pretende obter um aprendizado construído coletivamente, com base no diálogo e nos valores de colaboração e afetividade e não apenas na massificação do ensino para atender necessidades de mercado de um mundo globalizado e vendo alunos como números e cifras e não como cidadãos pensantes. Vale considerar também que a EAD vem evoluindo historicamente de acordo com as transformações das gerações e da sociedade da informação. Ainda há muito o que mudar, construir, resgatar e reconstruir. Os MOOCs são uma tentativa e também evoluirão. Hoje já não há tanta separação entre Ead e presencial. Já se fala em ensino híbrido, talvez um novo caminho. Outras virão, com intensidade e algumas se afirmarão, outras não.

Bibliografia:

MATTAR, João. Mooc. 2012. Disponível em: <http://joaomattar.com/blog/2012/03/24/mooc/>. Acesso em: 18 abr. 2015.

REIS, Hiliana. Modelos de tutoria no ensino a distância. 2003. Disponível em: <http://www.bocc.ubi.pt/_esp/autor.php?codautor=730> . Acesso em: 19 abr. 2015.

MATTAR, João. Vídeo-entrevista, TV UVA – Pedagogia em Ação e os MOOCs. 2013. Disponível em:<https://www.youtube.com/watch?v=XTBR47Vrkbg> Acesso em: 21 abr 2015

SANTOS, Milton. Por uma outra globalização. Do pensamento único á consciência universal. Rio de Janeiroª, Record, 5 ed. 2001.

Documentário: Quando sinto que já sei

Sempre que encontro boas inspirações para a educação procuro divulgar aqui como forma de fixar neste espaço para compartilhar com meus colegas e guardar para futuras pesquisas.

Este documentário dispensa qualquer texto, só assistindo mesmo!

Conheça o site do Projeto Ancora:

http://www.projetoancora.org.br/

Manipulação não é privilégio da direita

Bom senso, radicalismo, extremismo, verdade, justiça, igualdade, direitos, cidadania. Estes são alguns exemplos de termos muito relativos e que muitas vezes são utilizados para manipular opiniões e ideologias. Não há unanimidade de pensamento. A pluralidade sempre foi uma característica marcante de nosso país. Qualquer análise que não levá-la em consideração é no mínimo, injusta.

Exemplo:uma amiga me enviou uma piadinha:

A mulher pergunta ao marido:

_ Querido, quais são seus planos para a páscoa?

Ele responde:

Os mesmos de Jesus.

E ela pergunta:

_Como assim?

Ele responde:

_Sumir na sexta e só reaparecer no domingo!!

E aí? O que achou da piada?

Se você é católico, certamente pensou em todo o sofrimento que Cristo passou e não achará graça nenhuma. Mas, se você, apesar de católico, ou simplesmente alguém de muita e boa Fé, entender a intenção velada por trás da piada, entender que sua morte foi uma forma de provar seu poder como filho de Deus, de sua magnitude sobre o falso poder dos homens, ele realmente só teve sua carne em sofrimento na quinta e sexta, e que Ele sabia disto, verá que a piada faz sentido e não é ofensiva a sua Fé.

Por um momento, me questionei e refleti sobre a piada. Somos tentados a julgar tudo olhando sob nossa ótica e sob os estereótipos criados pela sociedade. Quem me enviou esta piada é de família judia, não sei se praticante ou não. Portanto, por uns momentos, cheguei a imaginar a possibilidade dela estar intencionalmente ridicularizando minha crença… Olha o radicalismo ai!!! Parei e pensei, graças á Deus, Alah, Jeová ou sei lá que nome ele pode ter…

O mesmo acontece quando, na política, todo indivíduo de esquerda começa a estereotipar o “burguês” como coxinha, só por ter um carro melhor ou por morar num bairro de classe média!

Cuidado! Manipulação não vem só de um lado….

Open Education Week – Semana da Educação Aberta #openeducationwk @openeducationwk #AllAboutOpen

Jenny Horta:

Evento importante e on line!

Publicado originalmente em Pesquisa Educação:

Open Education Week 2015 Logo - Transparent BG

A Open Education Week – Semana da Educação Aberta – acontece de 9 a 13 março de 2015 e participarei de duas atividades, uma em português e outra em inglês. Veja mais sobre as atividades e o evento.

Em português:

Participe dos fóruns de discussão do grupo ABED Aberta na Open Education Week 2015 #openeducationwk

Em inglês:

#AllAboutOpen – a Twitter Event Hosted by OC@KU and OEC @openeducationwk #openeducationwk

Veja mais eventos do Brasil na Open Education Week aqui.

Ver original

Normas Bibliográficas? Seus problemas acabaram!

Confesso que sou uma negação quando se trata de elaborar as referências bibliográficas (tenho muito problemas com regras técnicas, sim!), mas agora descobri que na web tem sempre uma ajudinha básica para qualquer dificuldade, inclusive esta.

Dois sites foram criados no intuito de ajudar e acho que funcionam bem nisso:

1- Facilishttp://facilis.uesb.br/index.jsp – Desenvolvido por Leilane Ferreira Ribeiro como trabalho de conclusão do curso Ciência da Computaçãoo da Universidade do Sudoeste da Bahia (UESB) no ano de 2008, sob a orientação do professor Fabrício de Souza Pinto.
2- MORE: http://www.more.ufsc.br/inicio – Mecanismo On-line para Referências foi desenvolvido por Maria Bernardete Martins Alves (bibliotecária) e Leandro Luis Mendes (aluno de graduação em Sistemas de Informação), numa parceria entre a BU (Biblioteca Universitária) e o RExLab (Laboratório de Experimentação Remota), sob a coordenação de João Bosco da Mota Alves (professor titular do Departamento de Informática e de Estatística, INE, e coordenador do RExLab), todos da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), no âmbito do Projeto ALFA II-0465-A – RExNet Yippee (Remote Experimentation Network – Yielding an Inter-university peer-to-peer e-service), do qual a UFSC é uma das 10 universidades envolvidas dos 5 países participantes. Tanto o RExLab quanto o consórcio RExNet tem como princípio basilar, a inclusão social em todas as suas modalidades, e MORE não foge a essa regra, pois é um serviço gratuito.

Bom trabalho!!