Professor-Tutor: você ainda vai ter um

Quem me conhece sabe que adoro desafios. Isso nem sempre é qualidade, pois as vezes tenho consciência de que acabo não rendendo o máximo de minhas possibilidades por tentar ser multitarefa…

Mas a conversa aqui é outra! Alguns “profetas da educação” vem tentando nos convencer que o futuro dos professores será mais sombrio – como se isso fosse possível – que as próximas gerações aprenderão com as máquinas.
Não duvido até que para muitos, que não compreendem a importância das relações humanas e da interação social (gente que não conhece ou não valoriza estudos de pessoas competentes, como Vygotsky, por exemplo)
o fato de jovens e crianças construirem sua aprendizagem apenas em frente ao computador seja absolutamente possível!
Pobres jovens!
Qualquer pessoa que tentou aprender qualquer coisa apenas lendo manual, ou coomo chamamos agora, um tutorial, sabe o quanto é maçante, o quando exige de perseverança e de tentativas exaustivas de ensaio e erro.
Este texto que destaco a seguir, mostra o quanto a presença do ser humano como mediador em todo processo de aprendizagem é indispensável.
Como Gilberto Dimenstain, recentemente terminei 2 cursos a distância: um no SENAC PA e outro no EDUCAREDE. Com certeza, a “presença” das tutoras Janaína e Gládis foram essenciais, assim como a dos colegas de curso.
Diante disso, só tenho um pedido a fazer aos que não possuem qualificação nem experiência na área: cuidem de suas especialidades e deixem a educação para quem entende do assunto. Assim como o instrumentador não faz cirurgia, pode apenas auxiliar, todos os demais profissionais não deveriam apregoar mudanças numa área que não conhecem!

GILBERTO DIMENSTEIN – Professores digitais
O que mudará é que o professor que despeja conteúdos automaticamente será mesmo dispensável

QUANDO ENCONTRA dificuldade para ajudar o filho na lição de casa, Bill Gates aciona o professor Salman Khan. “Tudo fica fácil”, diz Gates, que, nos últimos anos, vem gastando dezenas de milhões de dólares em sua fundação para descobrir novos jeitos de educar.
Filho de família da Índia e de Bangladesh, Khan tem um currículo capaz de impressionar qualquer gênio: no MIT (Instituto Tecnológico de Massachusetts), fez matemática, engenharia elétrica e ciência da computação; em Harvard, administração. Mas o que impressiona mesmo Gates é o valor das aulas: são de graça e acessíveis a qualquer um -aliás, neste momento, se quiser, você também pode entrar na internet e receber as mesmas aulas.
Khan foi um dos personagens que influenciaram Gates a escrever um texto em que sugere a substituição dos professores convencionais por aulas, acompanhadas de exercícios, gravadas com recursos multimeios por professores como Khan e distribuídas para todos. “É melhor uma boa aula desse tipo do que as dadas por professores medíocres”, provoca o criador da Microsoft.

Muita gente está levando a sério a possibilidade de as novas tecnologias exterminarem o professor como o conhecemos. Haveria uma radicalização do ensino a distância. Já há recursos para que um curso seja dado sem interferência humana. As aulas são gravadas e todos os debates, exercícios e notas são feitos por um programa de computador.
Autor da ideia de um computador por criança, Nicholas Negroponte me disse que está preparando uma experiência para ser lançada em comunidades da África e da Ásia que têm alto índice de analfabetismo. Quer deixar num lugar público computadores conectados à internet para ver como e se as crianças conseguem aprender a ler e a escrever sozinhas. “Cada vez mais o conhecimento vai ser transmitido fora da sala de aula”, comentou.

Esse tipo de recurso pode ajudar muito os alunos, especialmente os mais pobres, mas duvido que possa atingir a excelência sem que se viva num ambiente criativo, estimulante, com trocas entre alunos e professores motivados. Qualquer um pode acessar aulas do MIT ou de Harvard, entre outros grandes centros de ensino. Outra coisa é entrar num laboratório e acompanhar, por exemplo, o nascimento de um carro capaz de estacionar sozinho. Esse projeto é desenvolvido no AgeLab, que se dedica a criar produtos e serviços para idosos. Já está criando roupas e acessórios para os mais velhos evitarem acidentes.
Estou aqui em Harvard experimentando uma poderosa combinação do virtual com o presencial, num curso sobre experiências educativas internacionais. Cada aula se transforma num fórum na internet entre os estudantes, conduzido por três monitores. Daí surgem outros fóruns autônomos para cada comentário. Para aprofundar as questões, a classe, separada em três grupos, reúne-se presencialmente.
O professor mistura as aulas expositivas com depoimentos de convidados do mundo inteiro, que, a distância, ilustram os textos curriculares. Um explica como usa a tecnologia para melhorar o ensino em áreas rurais da Índia, outro conta como cria bibliotecas em remotas vilas da Ásia ou da África. Depois da exposição, os convidados respondem às questões dos estudantes. Tudo é gravado e postado na rede.
Tecnologia alguma, porém, supera o entusiasmo de um professor como Fernando Reimers. Ele viaja pelo mundo para conhecer experiências educacionais e participa de algumas delas. Não há software capaz de competir com essa paixão.

O que veio para ficar foi o fato de as informações circularem, criando a possibilidade de que o mundo se converta numa imensa comunidade de aprendizagem. Existem sinais por todos os lados.
Um dos negócios que prosperam no mundo digital são páginas abertas a perguntas que são respondidas por leitores. A diferença agora é que empresas estão contratando especialistas para dar respostas quase imediatamente. Há redes sociais em que se podem aprender todas as línguas importantes. Em outras páginas, são ensinadas expressões e gírias que acabam de surgir. Aprende-se espanhol com alguém que está na Argentina ou na China.

O que vai mudar é que o professor que despeja automaticamente os conteúdos será mesmo dispensável, pois será mais caro e menos eficiente do que uma tela de computador.

Fonte:v

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