Refletindo sobre Avaliação

Aírton Senna foi grande campeão e sempre será um ídolo. Sabemos que ele teve uma brilhante carreira, mas sabemos também que deixou de completar  algumas corridas em seu início de carreira ou em possíveis “má fases”.
Einsten é um dos gênios da humanidade. Porém, provavelmente deve ter errado alguns cálculos ou seguidos caminhos inviáveis até chegar aos memoráveis resultados e descobertas.
O Rei Pelé já perdeu Penalts…
O Rei Roberto já compôs ou interpretou canções que não emplacaram…
Em toda nossa sociedade, todos os que alcançam o sucesso tem seus momentos de baixo rendimento, ou de erros, qualquer que seja sua área de atuação.
O único lugar onde o erro não faz parte do processo de sucesso é na ESCOLA!!!
Avaliar na escola não significa excluir, nem tampouco medir a capacidade. Apenas dá uma ideia de até onde foi construída a aprendizagem. Uma ideia do tamanho do muro ou do “andamento das obras em construção”.
Aliás, engenheiros devem saber bem como avaliam obras. Analisam o que já foi feito, calculam o tempo, o que ainda está por fazer e a partir daí traçam novo ritmo á obra.
A disciplina Avaliação e Educação, de meu curso de Pedagogia da Unirio/Cederj apresentou-nos num Fórum esta história adaptada:
Era uma vez…
Uma rainha que vivia em um grande castelo.
Ela tinha uma varinha mágica que fazia as pessoas bonitas ou feias, alegres ou tristes, vitoriosas ou fracassadas. Como todas as rainhas, ela também tinha um espelho mágico. Um dia, querendo avaliar sua beleza, também ela perguntou ao espelho:
– Espelho, espelho meu, existe alguém mais bonita do que eu?
O espelho olhou bem para ela e respondeu:
– Minha rainha, os tempos estão mudados. Esta não é uma resposta assim tão simples. Hoje em dia, para responder a sua pergunta eu preciso de alguns elementos mais claros.
Atônita, a rainha não sabia o que dizer. Só lhe ocorreu perguntar:
– Como assim?
– Veja bem, respondeu o espelho. – Em primeiro lugar, preciso saber por que Vossa Majestade fez essa pergunta, ou seja, o que pretende fazer com minha resposta. Pretende apenas levantar dados sobre o seu ibope no castelo? Pretende examinar seu nível de beleza, comparando-o com o de outras pessoas, ou sua avaliação visa ao desenvolvimento de sua própria beleza, sem nenhum critério externo? É uma avaliação considerando a norma ou critérios predeterminados? De toda forma, é preciso, ainda, que Vossa Majestade me diga se pretende fazer uma classificação dos resultados.
E continuou o espelho:
– Além disso, eu preciso que Vossa Majestade me defina com que bases devo fazer essa avaliação. Devo considerar o peso, a altura, a cor dos olhos, o conjunto? Quem devo consultar para fazer essa análise? Por exemplo: se consultar somente os moradores do castelo, vou ter uma resposta; por outro lado, se utilizar parâmetros nacionais, poderei ter outra resposta. Entre a turma da copa ou mesmo entre os anões, a Branca de Neve ganha estourado. Mas, se perguntar aos seus conselheiros, acho que minha rainha terá o primeiro lugar. Depois, ainda tem o seguinte – continuou o espelho: – Como vou fazer essa avaliação? Devo utilizar análises continuadas? Posso utilizar alguma prova para verificar o grau dessa beleza? Utilizo a observação?
Finalmente, concluiu o espelho: – Será que estou sendo justo? Tantos são os pontos a considerar…”
(adaptado de Utilization-Focused Evaluation. Londres, Sage Pub, de Michael Quinn Patton)

O texto demonstra bem a questão da avaliação logo no início, pois o espelho pergunta: O que pretende com minha resposta?

Logo, coloco-me sempre a questão na hora da avaliação: O que pretendo com este ou aquele exercício ou atividade?

Avaliação nunca deixa de considerar intenções específicas e nem sempre pesa cada intenção com o mesmo nível de importância.

Num universo maior, temos os exames Nacionais… aquela sopa de letrinhas que visa medir a aprendizagem dos alunos do ensino básico e fundamental. Qual o objetivo? Saber se os alunos estão preparados para seguir em frente? Se sempre é tempo de aprender, que diferença faz?

Saber se já tem o domínio mínimo necessário para seguirem adiante? Faz sentido.

Aumentar os índices de qualidade da educação, como se esta pudesse ser mensurada em uma prova, onde as crianças nem sabem o porque fazem? Como se educação fosse um produto onde se pode ter total controle de qualidade, eliminando mercadorias defeituosas?

Concluindo, avaliar não é tarefa simples, envolve muito planejamento, análise, segurança e deve ser constantemente refeita, buscando corrigir deficiências.

É como se a rainha perguntasse dia após dia:_ Estou bonita hoje, espelho? Mais ou menos que ontem?

E a cada resposta ela procurasse embelezar-se mais a cada dia. Talvez assim ela atingisse seu objetivo: o sucesso ou a satisfação de ser gradativamente bonita.

Da mesma forma, avaliar na escola precisa servir para as atapas de um processo: o de educar. Cada erro não deve ser visto como um fracasso do aluno, mas como uma etapa de sua construção que ainda não foi vencida. Simples, mas teimamos em complicar.

Nossa sociedade adora construir fracassos. Fala-se muito mais dos perdedores que dos vencedores. E dos vencedores só mostram as vitórias, nunca os tropeços e insucessos do caminho.

Nenhum professor chega em sala, no dia de sua primeira prova e diz:_ Hoje vamos fazer uma prova e pode acontecer de vocês tirarem 4 ou 5. Estamos começando e aprenderemos em cima dos erros que porventura possam cometar aqui.

Eu, particularmente não vejo diferença entre nota ou conceito. O problema não está na forma, mas na interpretação dos resultados. Uma avaliação que revê a questão do erro como elemento de exclusão, torna-se por consequência uma avaliação inclusiva e mais justa para todos.

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