Leitura X "Lei-dura" Literatura na Formação do Leitor

Concepções ampliada e reduzida de leitura:

Nem sempre captamos os sentidos imediatos da leitura, faz-se necessário observar os possíveis sentidos do ato de ler, que variam de indivíduo para indivíduo de acordo com suas vivências, experiências. A chamada “leitura de mundo” de Paulo Freire. As formas de ler e avaliar os textos variam, se se considerarem diferentes classes sociais, regiões, etnias etc.
Diferentes leitores, espectadores, ouvintes, produzem apropriações inventivas – e diferenciadas – dos textos que recebem.
O ato de ler não é uma prática social totalmente autônoma; muito menos, neutra…varia de acordo com concepções que construímos a partir de nossas condições objetivas de vida.

Segundo Sonia Kramer, é importante observar a distinção entre vivência e experiência: na vivência, há mera reação aos choques da vida cotidiana, a ação se esgota no momento de sua realização (por isso é finita); na experiência, o que é vivido é pensado, narrado, a ação é contada a um outro, compartilhada, se tornando infinita. Esse caráter histórico, de ir além do tempo vivido e de ser coletivo, constitui a experiência. Mas o que significa entender a leitura e a escrita como experiência? (…) Quando penso na leitura como experiência (…) refiro-me a momentos em que fazemos comentários sobre livros
ou revistas que lemos, trocando, negando, elogiando ou criticando. O que faz da leitura uma experiência é entrar nessa corrente onde a leitura é partilhada.
Leitura deve ser acompanhada de prazer.
No Brasil, ocorrem problemas no que se refere à constituição de sujeitosleitores. O hábito e o prazerde ler estariam, desta forma, sofrendo sérias restrições.
“O problema da leitura no contexto brasileiro deve ser colocado, figurativamente falando, em termos de uma lei-dura, isto é, em termos de um conjunto de restrições agudas que impede a fruição da leitura, do livro por milhões de leitores em potencial (SILVA 1995, p. 23)”.

Acabamos por não estabelecer as diferenças entre os textos literários e os não-literários e utilizamos textos como “pretextos” para ensinar “conteúdos programáticos” em sala de aula… Por outro lado, acreditamos que a reflexão sobre as condições necessárias para que se tenha acesso à leitura nos leva a constatar que as pessoas, para se formarem leitoras, precisariam ter, no mínimo, acesso irrestrito aos livros, fosse em bibliotecas, escolas ou livrarias. Acrescento ainda o advento da web, como excelente mecanismo de facilitador do acesso democrático ás obras literárias.

Formamos leitores ou eles se formam?

* o processo de formação do leitor está intimamente vinculado aos primeiros RITUAIS DE INICIAÇÃO – experiências – que o constituem como tal;

* as experiências iniciais sinalizam a presença de um “ingrediente” importante, que tem o potencial de deflagrar este processo de formação: o prazer/gosto pela leitura;

* o despertar do gosto pela leitura, geralmente, está atrelado à presença de agentes de formação, mediadores, “pontes rolantes” que estimulam esta interação leitor/texto literário;

* o contexto local que oportunize e enriqueça a interação leitor/texto literário influi significativamente na sua formação, oferecendo condições de produção de leitura capazes de aproximá-lo e seduzi-lo para esta prática cotidiana.

O desenvolvimento do gosto/prazer pela leitura, visando à formação integral do leitor, tornou-se um constante desafio, difícil de superarmos em função, sobretudo, de práticas de leitura desiguais, no que diz respeito ao acesso e às formas de se conceber e de se produzir a leitura.
Que medidas diretas e indiretas estão sendo adotadas pelo Estado, pelas empresas/instituições e pelos diferentes segmentos da sociedade no sentido de diversificar, ampliar e renovar os espaços de acesso à leitura (bibliotecas públicas e escolares, salas de leitura, escolas, feiras de livros)?
Perguntas que sinalizam e alertam para a complexidade do desafio de formarmos leitores num cenário sociocultural marcado por desigualdades e exclusões múltiplas. Práticas de leitura podem estar assentadas em técnicas “enlatadas”, modeladas por catálogos de livros didáticos e paradidáticos vendidos pela indústria editorial, disfarçadas” de ludicidade e PRAZER SUPERFICIAL, desviando as práticas de leitura da escola de seu caráter de fruição e PRAZER ESSENCIAL.

Conclusão: no processo de formação de leitores, estes SE FORMAM, a partir de sua realidade local, do papel fundamental desempenhado pelo contexto e pelas experiências prévias na constituição do leitor.

Características dos textos escolares: Normalmente as perguntas propostas estão fora de foco, são meras repetições de exercícios que em nada lembram o ritmo ou a sensibilidade do poema utilizado, desvinculadas da produção textual significativa. Acaba por deixar no aluno um gosto amargo de leitura, ou seja, a sensação de que ler não é uma tarefa prazerosa. Lei-dura X Leitura
Práticas escolares realizadas com textos literários podem desqualificar estes tipos de textos.
Não compete à escola didatizar a leitura, quando empreende a tarefa de formação de leitores, também não lhe deve competir a de pedagogizar o texto literário, muito menos a de encerrá-lo apenas nos muros dos livros didáticos. Em outras palavras, livros à mão cheia é o que a escola precisa cultivar, e deixar que os leitores, por meio de sua criatividade e disponibilidade, façam as suas escolhas!
* Resumo para estudo da disciplina Literatura na formação do leitor – Pedagogia UNIRIO/Cederj 2010 – 5º período

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6 comentários sobre “Leitura X "Lei-dura" Literatura na Formação do Leitor

  1. Pingback: Os números de 2010 « Aprendizagem Digital

  2. Oi Jenny,Gostei bastante da abordagem desse texto pois concordo. A escola não deve impor a leitura e sim, estimular e levar o conhecimento ao futuro leitor. Quanto a formação, cada um cuida da sua. Ou não. Aí entra o tal de livre-arbítrio de cada um.Bjs

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