Professores do Brasil – Blogagem coletiva

O Mundo mudou. Por mais que muitos insistam em negar, a Escola também. E com estas mudanças, professores aprenderam que não são detentores e senhores absolutos do saber, alunos aprenderam que muitas vezes, podem estar certos e seus mestres, errados. Sim, com certeza!
Percebemos todos, que quanto mais aprendemos mais podemos errar.
Mas a sociedade atual muitas vezes deixa transparecer só um lado da questão. Dizer que o professor é um facilitador da aprendizagem do aluno não pressupõe que este não lhe deva mais respeito, até mesmo obediência.
Dizer que a escola precisa partir do interesse do aluno não significa dizer que este agora possa agir no espaço escolar apenas de acordo com sua própria vontade. Há nesta questão uma perigosa inversão de valores que parece contagiar a todos, inclusive professores e os maiores interessados na educação dos jovens: seus pais ou responsáveis.
Uma forte porém invisível força negativa, empurra os educadores rumo a um abismo de valores em nossa sociedade. Ao referir-me desta forma, posso parecer adepta da “teoria da conspiração”, mas uma observação e reflexão mais atenta pode revelar ser esta a realidade na educação brasileira.
Enquanto professor for função mal remunerada e servir de escada eleitoreira, enquanto a mídia se posicionar alheia aos problemas estruturais da categoria e apresentar os fatos superficialmente, de acordo com interesses políticos e não com a extrema verdade, a população continuará também alheia ao verdadeiro problema educacional brasileiro: o descaso com a figura do professor.
É só refletir partindo de uma pergunta básica: _ Que outra categoria profissional exige curso superior e especializações e não consegue sequer estabelecer e garantir um PISO salarial de R$ 800,00 ???
Como em toda categoria, encontraremos maus profissionais, aqueles que apenas contam os dias no calendário para sua aposentadoria, mas dentre os professores, com certeza, o desânimo, o medo, a agonia de sentir-se incapaz diariamente, é um terrível agravante. Precisamos, além da vontade política, da vontade de toda a sociedade, para que estes profissionais não continuem “jogando a toalha e chutando o balde”. Precisamos que cada pai e mãe que coloca seu filho na escola perceba o quanto a tarefa deste profissional se torna mais complexa a cada dia.
Costuma-se denegrir a imagem dos policiais devido á corrupção de alguns. E a imagem do professor? Se desvaloriza pela corrupção de quem?
Magistério não pode continuar a ser encarado como sacerdócio. Até os sacerdotes que conheço tem mais conforto e tranquilidade para pagar suas contas e exercem seu “oficio” com maior apoio e segurança.
Gostaria imensamente de participar desta “blogagem coletiva” de uma forma mais romântica. Tenho paixão por meu trabalho que exerço a 26 anos e por isso mesmo, hoje, me sinto na obrigação de comemorar desta forma, num alerta: cada vez mais os bons profissionais abandonam as escolas, principalmente as públicas. Não há como melhorar a qualidade do ensino público sem o professor. Não há como capacitá-lo, qualificá-lo sem salário digno. Sem passar pela questão salarial, nenhuma reforma trará resultados.
O que nos parece tão óbvio, ao mesmo tempo esbarra em milhares de explicações e desculpas.
Só nos resta alertar e esperar que a ficha caia…

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