Indígenas promovem manifestação em defesa dos Sambaquis

Você sabe o que é um SAMBAQUI? Não se trata de um PAGODE no fim de semana em sua casa, regado a churrasco e cerveja…
Sambaquis- de samba ( mariscos ) e eki (amontoados), em tupi são morrotes deixados pelos povos sambaquieiros, que conquistaram o litoral brasileiro há cerca de 8 mil anos. Isto é, trata-se de nossos ancestrais indígenas.
Para os que não conhecem, o Bairro de Camboinhas tornou-se sonho de consumo da classe média de Niterói, e alvo de intensa especulação imobiliária, por sua localização privilegiada na região Oceânica. (Veja Fotos no slide)
Crianças, jovens e idosos da Nação Guarani vieram do município de Paraty, montaram ocas no final da praia e aguardam a chegada, até o dia 19 de abril, de outros grupos de todo o Brasil para o Movimento encabeçado pelo Conselho Comunitário da Orla da Baía (CCOB).
Em breve, no local, contaremos com a presença de Tucanos (Amazonas), Pataxós (Bahia), Fumiôs (Pernambuco) e Xavantes (Mato Grosso), entre outros.
O Sambaqui de Camboinhas é considerado pelos arqueólogos da UFRJ o mais antigo do Brasil, com cerca de 8 mil anos de existência. Além deste, temos os sítios arqueológicos de Duna Pequena e o de Duna Grande, em Itaipu, com cerca de 2300 anos.
Infelizmente, em 2004, um prédio foi construído na área e motivou denúncias de entidades e populares. O Ministério Público Federal moveu e ganhou a ação que impede que novas construções sejam feitas no local, assim como na orla da Lagoa de Itaipu. Em 2007 foi solicitado pelo CCRON (Conselho Comunitário da Região Oceânica de Niterói) que a área seja considerada uma APA (Área de Proteção Ambiental) e um projeto se encontra no Palácio Guanabara para que seja anexada a Serra da Tiririca, além da Orla da Lagoa de Itaipu.
Estranhamente, a demarcação apresentada na página oficial do IEF não é a mesma que ficou estabelecida nas audiências públicas. Com isso, na demarcação oficial, o Sambaqui fica de fora…

Este vídeo nos mostra depoimentos de representantes dos povos presentes:

Não se trata apenas de uma luta do Indígena em defesa de suas tradições. Trata-se de uma nova visão do dito Homem Branco, que deve conscientizar-se da importância da preservação de nossa história, de nosso eco-sistema e principalmente, de nossa ÉTICA e MORAL.
Felizmente, ainda temos Homens assim, sejam eles, brancos, negros, amarelos ou índios.
Em respeito a um povo que sofreu e ainda sofre as consequências dos desmandos do homem branco, precisamos mostrar às novas gerações que ainda há o que preservar!

Abaixo, reproduzo manifesto das entidades envolvidas na defesa deste santuário histórico, ecológico e cultural:

Os Sambaquis de Camboinhas demonstram os movimentos costeiros dos homens Caçadores, Coletores e Pescadores da Planície de Maré do litoral do Rio de Janeiro; a evolução geomorfológica, faunísticos e botânicos, além dos aspectos sócio-culturais dos habitantes pré-históricos integrados a esses ambientes ao longo de milhares de anos, além da evolução do sistema lagunar da região. Na arqueologia histórica dos cemitérios percebe-se a divisão temporal do período pré-histórico pelo período pós descobrimento das ocupações humanas do litoral do Estado do Rio de Janeiro. E que, através de Contato Interétnico diferentes grupos humanos se estabeleceram, em épocas distintas, nos mesmos lugares, numa superposição de ocupações, pontuando os diversos universos culturais que se espalharam pelo Estado do Rio. Mostra a importância dos aspectos histórico-arqueológicos do povo Tupi-Guarani através da Estruturação do Povoamento da Região Oceânica de Niterói e as relações de produção estabelecidas entre os Séculos XVI e XIX nesta região que possui expressiva participação no processo histórico do povoamento. Por outro lado, para a cultura originária, indígena que ainda habita Itaipu (Tupinambá) essas terras são patrimônios imateriais por representar uma visão cósmica, ou seja, essas terras possuem vida e espírito alimentados pelos sais minerais e a água dos corpos ali enterrados, verdadeira ponte entre os pensamentos culturais.Este espaço não pode ser valorado economicamente mas culturalmente por servir como base de estruturação das diversas culturas que aqui habitaram e habitam e enriquecem a nossa sociedade, composta de inúmeras culturas, saberes e conhecimentos distintos, de modo que não devemos admitir a destruição da nossa cultura originária que ainda visa construir uma sociedade sem males onde prevaleça o respeito às diferenças. CESAC – CCECRON e CCECOB

Este vídeo mostra uma das primeiras manifestações, organizada em 2005:

Realmente, graças a intervenção de um leitor anônimo (infelizmente) recebi a informação de que existe um grupo aldeado no local. Confesso que desconhecia o fato deles estarem permanentemente no local e pretendo aproveitar para adquirir mais informações a este respeito diretamente na região.
O link muito interessante e completo da informação enviado pelo leitor:
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/04/19/materia.2008-04-19.3131751633/view
Agradeço a correção e a colaboração. Essa é a essência da Blogagem: interativa e colaborativa!

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